O caos nosso de cada dia

O mundo se virou completamente de uns dias para cá. Não digo o mundo como ele é, cheio de nações e culturas. Falo do mundo dos brasileiros. O mundo que eu e você estamos tendo de viver todos dias. Não tenho a intenção, muito menos dinheiro, para sair do Brasil, mas, vejo que não é essa a melhor saída.
Lembro-me ainda no pré e pós campanhas eleitorais – principalmente após Dilma ser eleita – brasileiros fazendo suas malas e mudando-se, quase todos, para os Estados Unidos. A cultura americana sempre nos encantou. O no universo corporativo, orçamento passa a ser budget e resumo vira briefing. Isso é normal e mostra que sempre gostamos da cultura deles.

É do senso comum achar que se tudo está dando errado, deve-se jogar pra cima, passar a borracha e começar de novo. Mas esquecemos que não é TUDO que está dando errado. Apenas somos um cesto de lindas maçãs, cheio de frutos podres e que estão fedendo a quilômetros. Não dá pra jogar tudo pra cima. A máquina não para de girar.

No meio do caminho, sempre tem uma dificuldade aqui e outra ali, mas, não podemos parar. O mundo não para de girar porque o governo é corrupto ou que alguém foi assaltado ontem, ou até pior, foi assassinado ontem. O mundo não para de girar. A vida não para de acontecer.
A vida de cada um pode parecer uma enorme orquestra sem maestro: cada instrumentista toca no ritmo que quer e o que bem quer. O som que ouvimos é um enorme CAOS.

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O CAOS está sempre ai…

Assim são nossos dias: pessoas fazendo o que bem querem e como querem. E tudo isso de uma só vez. Ao mesmo tempo.No meio de toda essa bagunça surge coisas surpreendentes. Pessoas que realmente querem fazer alguma coisa e que estão dispostas a sofrer por isso. O jovem que está exatamente agora no ônibus e que vai a faculdade, ou a mulher que esta indo para casa tarde da noite. Eles regem a própria orquestra. Mesmo que a maior seja a do caos.

E aí, que orquestra está tocando ouvindo agora?

Eu não preciso ter opinião sobre tudo

Pouco me preocupo em dizer qual lado está certo, ou julgar aqueles que tenham razão ou não. Eu não me defino como direita ou esquerda, apoiador ou contrário, libertador ou opressor… acho que uma definição assim é muito vaga. É um tanto estranho te apontarem o dedo na cara e te chamarem de alguma coisa, sendo que você pode ser tudo e ao mesmo tempo não ser nada…

Nos últimos dias, vejo que todos tem um lado definido: Dilma X Temer, Estupro X Não Estupro e por aí vai…
Todo mundo parece ter uma opinião bem clara e não está disposto a trocar de posição em relação à isso. Sem entrar no mérito de discussão desses dois tópicos, o que digo é agora a opinião virou um grande interruptor de lampada: onde só pode estar acesa ou apagada, on ou off.

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Opinião não é isso.

Me parece que nos foi tirado o privilégio da dúvida e que temos apenas alguns minutos para tomar um lado. Isso é errado. Você não precisa ser defensor de alguma opinião e mante-la até sua morte. A sociedade – e também quem usa o Facebook – esqueceu que somos seres humanos e que trocar de opinião é trivial a nós. Imagine se ainda achássemos que negros devem ser escravizados?  Ou que mulheres não devem votar?

Existem opiniões que são ruins e fere qualquer princípio humano e são horríveis de ouvir. Ainda ouviremos e veremos muitas dessas opiniões ruins por ai. Só nos resta evitar ir para esse lado.

No fim, eu não preciso ter opinião sobre tudo.

Hipocrisia é uma benção

Pense em tudo de magnífico que um ser humano consegue fazer. Pensou? Acho que isso não chegara aos pés da habilidade que temos em ser hipócritas. Sim. Eu, você e até a sua mãe somos excelentes nessa arte. Arte essa que está presente muito mais do que podemos imaginar.

A arte de ser hipócrita

Eu não sei o porque, exatamente, mas ser hipócrita é um defeito. Chamar alguém assim então… é uma ofensa. Mas o ser humano, o homem moderno, a mulher moderna, a criança moderna… todos! Somos excelentes nisso.

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A hipocrisia é também uma arte.

A atual situação política brasileira mais parece uma cultuamento a essa arte. Temos Aécio Neves, empresário, que vem de helicóptero enfiar o dedo na cara do PT e chamar a todos de ladrões. E temos também um senhor, já de idade, morador de um pequeno sítio que acha um absurdo uma investigação cair em cima dele. São hipócritas.

Mas a hipocrisia não é uma habilidade de políticos – pelo menos não só deles – mas também é uma habilidade minha e sua. Que vergonha, não é meu amigo

Quantas vezes você já chamou alguém de biscate, sendo que você mesma sai de casa com uma roupa igual a de quem recebeu este seu julgamento? HIPÓCRITA!

Quantas vezes você falou que é importante sempre estudar e julga quem não o faz. Mas que quando existe uma brecha para procrastinar você não perde essa oportunidade? HIPÓCRITA!

Quantas vezes disse ser um desperdício de tempo ir para a balada mas está maluco para ir na festa sertaneja de sexta? HIPÓCRITA!

A lista não acabou e sequer tem um fim próximo. Mas podemos por um fim em uma coisa: ser hipócritas. Não é errado se contradizer, é apenas um alerta. Um alerta de que você estava errado e pode consertar isso.

O mundo sempre dá sinais de quando estamos fazendo uma enorme idiotice. Mas se você se deixar enganar pela hipocrisia, esse sinal será como nulo para você. Então, você continuará falando de outras pessoas – dos erros delas – e não perceberá o sinal que o mundo está te dando.

Ser hipócrita nos permite julgar erros alheios, sendo que os mesmos erros nos são algo íntimo. Ser hipócrita é uma benção porque julgamos sendo réus. E isso sempre acontece.

Quando perceber que está sendo hipócrita. Assuma! Não é errado.

Então, entenda onde você está, HIPÓCRITA?

“Quanto te pagam para desistir dos seus sonhos?”

Estava assistindo ao filme Amor sem Escalas. De repente, uma cena me chama a atenção. Nela, temos um especialista em demissões que está encarregado de demitir vários funcionários. Uma tarefa que muitos não aceitariam fazer, mas que no mundo real deve existir alguém que a faça. Melhor que veja por si mesmo:

São tantos significados que esse vídeo pode ter que fica difícil escolher algum. Mas preferi esse:

“Quanto te pagam para desistir dos seus sonhos?”

Sexta-feira, são 13:00h. Daqui cinco horas, mais ou menos, a maioria das pessoas encerrarão sua semana. Elas irão para um bar comemorar mais uma semana que passou e então “relaxar” para o fim de semana que está apenas começando.
Eu vivi isso. Sei o que é detestar quatro dias da semana e rezar para que o mundo vire uma sexta, sábado e domingo. Fim de semana é bom demais.

Vamos fazer um exercício: tente voltar 10 anos no tempo, apenas em sua cabeça. Tente se lembrar quais eram seus planos e objetivos quando você estava com 10 anos a menos. Ou 5 anos a menos…
O que te levou a seguir esse caminho de passar os próximos anos da sua vida batendo ponto. É realmente isso que você estava buscando?

É comum no nosso caminho fazermos coisas que não gostamos para alcançar nossos objetivos. Talvez isso possa ser alcançado em 23 dias.

Uma demissão, um fim de relacionamento ou qualquer coisa que te tire do caminho que está não é o fim. É um alerta para que recoloque os planos no lugar e mude toda sua estratégia. Sempre há caminho para recomeçar.

Afinal, “quanto te pagam para desistir dos seus sonhos?”

Uber em Curitiba e o medo de algo novo

Acabei de ler uma notícia no site da Band News FM de Curitiba – cidade que moro – sobre a suposta chegada do Uber em Curitiba. Não mais suposta, pois agora está confirmada pela própria empresa, segundo o site.

O que me chama a atenção para essa notícia é que, meses atrás, casos de agressões de taxistas contra motoristas do Uber faziam parte de todo noticiário das nove. O Uber é um serviço novo, mas o que ele oferece não é tão novo assim: conecta pessoas com serviço ocioso à pessoas dispostas a pagar por ele. Assim como o Airbnb.

“O motorista do Uber não paga imposto”

Entre protesto dos taxistas parando toda uma cidade está uma empresa com expertise em marketing. O Uber vem ganhando espaço para quem ainda não o conhecia e fidelizando aqueles que já aderiram ao serviço.

O principal argumento contra o Uber é que os motoristas não pagam os impostos que um taxista paga. Conforme o comparativo da Alessandra Garattoni, isso não é tãaaaaaao verdade:

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“Quem tem Uber não paga imposto”. Sei…

O motorista do Uber é, e pode ser, você. Então, irá comprar o carro de forma legal e com toda a extensa carga tributária. Onde está a concorrência desleal?
Deve-se regularizar e não proibir, como alguns vereadores em Curitiba querem. O brasileiro está (muito!) acostumado com o tal do “é o que tem pra hoje!” que simplesmente não questiona quando lhe é oferecido um serviço de má qualidade.
Empresas como Uber, Netflix e 99taxis foram, e ainda são, disruptivas para o mercado, mostrando que o consumidor tem voz e vez e deve exigir o melhor. Empresas que estão paradas no tempo e acreditando que o “sempre foi assim e vai sempre funcionar” acabam perdendo espaço. E isso é ótimo para um lado: o do consumidor.

Com consumidores “descobrindo” serviços que operam com excelência e que cobram preços justos, empresas assim serão sempre bem vindas em nosso mercado.

O Uber não quer destruír ou erradicar os taxistas, ele quer coexistir. A TV a cabo não acabou com a TV aberta, a Netflix não acabou com estúdios de TV ou TV’s a cabo: eles coexistem. A quantidade de opções que existem hoje para entretenimento agora atendem todos os públicos. E isso será com o Uber.

No fim, é simplesmente uma batalha para descobrir qual oferece o melhor serviço por um preço justo. E quem vence é você.

Recomendo a leitura do blog da Alessandra Garattoni sobre o assunto.

 

Ninguém tem inveja de você

Tive uma ideia sensacional: trata-se de um negócio onde as pessoas utilizarão um site para interagir com as pessoas da faculdade e criar novas amizades. Para esse site, os usuários terão de usar um e-mail que apenas os alunos de tal faculdade tem. Sendo assim, teremos um serviço exclusivo.

A história acima parece familiar, não é? E é mesmo (se você assistiu A Rede Social). Neste filme nós vimos como foi a trajetória do jovem Mark até o que ele se tornou hoje. Ou pelo menos vemos os pontos chaves.

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Isso é uma ideia em ação: mangas arregaçadas.

Os irmãos Winklevoss tiveram essa ideia que hoje é o Facebook. Após um longo debate na justiça, eles finalmente aceitaram um acordo e superaram a perda.
Mas o que essa história ilustra muito bem é que existe uma grande diferença entre ter a ideia de uma coisa e fazer a coisa.

Ninguém está interessado em ideias. Ideias são como flamenguistas: tem em todo lugar. (risos). Qualquer ser humano é capaz de ter a ideia mais sensacional do universo. Capaz de mudar o mercado e nosso modo de viver. Mas ninguém está interessado nessa ideia. O que realmente interessa é a ideia ali, em prática. Funcionando ou falhando.

Uma ideia é só uma ideia

Dias atrás, conversei com um amigo. Ele me contou a ideia de uma distribuidora de bebidas que seria revolucionária, mas que não podia mais fazê-lo porque seu amigo havia roubado essa ideia dele. Isso era inveja daquele amigo ladrão, segundo ele. Tive de dizer: “ninguém tem inveja de você!”.
A reação foi rápida: um olhar perdido e a boca semiaberta. Logo essa feição deu lugar um amargo que subiu a garganta e se transformou em raiva. Raiva por alguém estar discordando.

Minha explicação foi simples: imagine que o homem/mulher que inventou o supermercado usasse sua mesma desculpa, de que quem abriu outro supermercado, estaria com inveja. Uma ideia é só uma ideia. A ideia em ação é outra coisa. Ele não teve inveja, ele teve ação.

É comum encontrar pessoas que acham que são vítimas de olho gordo, inveja… mas na verdade essas pessoas são vítimas delas mesmas. É cômodo dizer aos quatro cantos que seus projetos não estão dando certo por conta de inveja do que assumir que faltou um pouco de coragem de por aquilo em prática.

Talvez eu tenha perdido um amigo, mas defendi meu ponto. No fim, ninguém tem inveja de você.

Entre ter uma ideia no banho e se enxugar para por ela em prática, onde você está?

Entenda o papel do hoje e escolha o seu amanhã

Imagine que sua vida é um grande tabuleiro de xadrez e que cada ação agora poderá se transformar em uma bola de neve que irá te esmagar, ou, pode simplesmente ser a chave para um magnífico xeque-mate. Com isso em mente, você sabe o que tem que fazer para que amanhã tal coisa aconteça.

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A pior parte disso é essa: você sabe o que tem que fazer. Só saber não vai te levar para lá. Tem que ter a atitude – e eu confesso para você: dá uma preguiça danada.

A gente tá sempre ali, inerte ao que está acontecendo. A ideia de atitude, de mudar já se tornou um senso comum. E não saiu disso. Quando vejo pessoas dizendo que não deve se preocupar com o amanhã e aproveitar ao máximo o hoje… dá calafrios. Por saber que aquilo é uma desculpa para a mediocridade e ele poder fazer merda hoje.

“Viva o hoje,
pois o ontem já se foi
e o amanhã talvez não venha.” – Antoine de Saint-Exupéry

O ilustre Antoine de Saint-Exupéry com certeza sabia o que estava falando. Talvez você o reconheça: um francês, excelente escritor, ilustrador e piloto que fatalmente morreu em 31 de julho de 1944, no alto da segunda grande guerra, em uma missão de reconhecimento. Não o reconhece? Então agora se lembrará: ele foi o autor de Le Petit Prince (O Pequeno Príncipe) – 1943.

Se corpo nunca foi encontrado. Apenas em 2004 que os destroços do avião que pilotava foram encontrados próximos a costa de Marselha, na  França. Ele realmente acreditava que o hoje era o mais importante. E estava certo.

O hoje, para muitos, passa despercebido e torna-se uma paisagem. Assim como o caminho do ônibus de todo dia, o hoje tem muita coisa que você simplesmente não viu porque está em piloto automático.

O hoje tem o seu valor especial. Ele é o que temos para modelar o que queremos amanhã. A nossa principal “missão” é buscar evoluir. Ser melhor. E para fazer isso só temos uma coisa: o hoje!

É para isso que o hoje serve. E não para que você possa encher a cara no bar.

Um jeito de fazer acontecer

O amanhã é incerto, mas você pode mudar isso. Ou chegar perto. Mas chegar perto é melhor do que sequer estar na direção.

Pegue uma caneta, um papel e uma dose bem grande de sinceridade. Vamos precisar de tudo isso. Não sei qual pode ser a sua situação financeira, amorosa, familiar, acadêmica ou então a sua carreira. Não sei quem é você. Mas você sabe.

Você sabe o que quer. Sabendo disso, escreva as respostas dessas perguntas no papel:

– O que eu quero que aconteça comigo no próximo mês?
– O que eu quero que aconteça comigo no próximo ano?

Agora, escreva o que você tem que fazer para que isso aconteça, ou o que você dará em troca para que isso aconteça. Não pense que esse “dar em troca” é algo espiritual. Ele é o seu comprometimento de alocar o mínimo de esforço para que tal coisa aconteça.

Talvez seu objetivo seja ousado. E é o que deve ser. Mas acima de tudo, seja sincero. Queira de verdade para que qualquer desaprovação ou então uma intimidação não te desmotive do caminho.

Querer agora é poder. Acredite.

*Esse é um artigo inaugural de uma série que tentará encontrar a resposta para uma pergunta: Onde estarei daqui cinco anos?
Serão artigos abordando aspectos essenciais para encontrar essa resposta.
Viva a vida!